A nova força do empreendedorismo

MODELO DESTAQUE ABRE empree

Empresários cada vez mais jovens são uma
importante tendência pela inovação e pelo
dinamismo no comando dos negócios

Katia Katia Brito

O dito popular que diz que não se pode passar pela vida sem escrever um livro, plantar uma árvore e ter um filho mudou. Nessa lista, hoje está e, para muitos em primeiro lugar, empreender. Esse conceito desponta como uma tendência, principalmente entre os mais jovens.

Estudos do Escritório Regional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP) revelam que 24% dos microempreendedores individuais de Mogi das Cruzes têm entre 21 e 30 anos. “Empreendedor é aquele que transforma, que realiza. É importante entender que não há vagas para todos no regime convencional de trabalho. É preciso se destacar e trazer novas ideias. Essa certamente é uma tendência de mercado”, destaca o analista do escritório regional do Sebrae-SP, Claudio Ramos.

Para o coordenador do Núcleo de Criatividade e Empreendedorismo da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Marcos Hashimoto, o jovem tem uma intenção empreendedora mais forte, mas não é preparado: “Ninguém que se diz empreendedor pode assegurar que está preparado para a empreitada. Ele vai aprendendo com a experiência e assim vai se calejando e adquirindo o aprendizado necessário para empreender”.

Por outro lado, Ramos ressalta que é fundamental buscar informação, o que faz a diferença no dia a dia. Segundo ele, quanto mais o empresário conhecer o negócio e o mercado em que atua, certamente suas decisões serão mais acertadas e os resultados melhores.

Internet
O mercado virtual desponta como uma grande oportunidade. Hashimoto explica que “a internet é o que mais salta aos olhos porque concentra negócios de alto crescimento, mas o movimento empreendedor vem crescendo em todas as esferas”. Ele acredita que é pelo empreendedorismo que a nação vai dar o seu salto econômico e se colocar entre as superpotências econômicas. A expectativa é que a tendência se mantenha nos próximos anos, na avaliação dos especialistas.

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Em dose dupla

Os jovens empresários da Dewa, empresa de moda
masculina e feminina, trilham o caminho do sucesso

Os sócios Philip Boucault Pinhal e Danilo Grinberg, ambos de 29 anos, transformaram a amizade de longa data em uma parceria de sucesso no mundo dos negócios. Mas até a criação da Dewa, uma nova opção em moda masculina e feminina, em 2009, eles seguiam rumos diferentes. Philip cursou Turismo e trabalhou durante sete anos na aviação civil. Danilo trilhou o caminho da Publicidade até que, após trabalhar no Marketing de uma marca de surfwear, pegou gosto pelo segmento: “Decidi arriscar e abrir minha própria marca, criando alguns modelos de camisetas”.

Tempos depois, ele convidou o amigo Philip para conduzirem juntos o empreendimento. A Dewa começou com a confecção de 30 camisetas, que teve grande aceitação e, desde então, o mix de produtos vem aumentando. A cada coleção, os sócios escolhem um tema que, de certa forma, faça com que as pessoas reflitam um pouco mais sobre seus comportamentos e suas atitudes. Com uma loja na Vila Oliveira, os jovens empresários planejam a abertura de uma segunda unidade, além da venda em atacado para outras cidades.

“Acreditamos que vivemos em uma época de mais oportunidades. O jovem de hoje está mais antenado ao mundo, mais globalizado, e isso faz com que desperte o interesse e a coragem em trabalhar para si próprio”, avaliam os sócios da Dewa. Danilo e Philip ressaltam que é cedo para darem conselhos, mas recomendam estudar o mercado, fazer um plano de negócios, encarar as dificuldades e não esperar retorno financeiro imediato.

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Mão certa para os negócios

Empreender está na vida do CEO da Dotstore
desde o início da adolescência

O empreendedorismo parece ter nascido com Felipe Martins. Aos 29 anos, ele é CEO da Dotstore, empresa especializada em comércio eletrônico. Sua história no mundo dos negócios começou muito cedo. Aos 11 anos, por um mês ele fabricou bijuterias com direito a uma equipe de vendedoras mirins. O interesse pelo desenvolvimento de sites surgiu aos 15 anos e, para incentivá-lo, os pais combinaram com um amigo que o contratasse. “Este empurrão foi o que me estimulou e comecei a desenvolver sites profissionalmente”, relembra. E foi no sistema de loja virtual que ele vislumbrou uma grande oportunidade de negócio. Assim, nasceu a Dotstore Soluções para Internet, uma parceria com a irmã Rafaela Martins (diretora de operações da empresa) e os pais (Marco e Donaide Martins), além do aporte de um investidor-anjo que acreditou no projeto.

“Demoramos pouco mais de 18 meses para desenvolver um sistema apto para a comercialização e que tivesse todos os quesitos importantes para o mercado. Foi um sucesso! Hoje contamos com quase 50 funcionários e uma carteira de mais de mil clientes ativos no Brasil”, comemora Martins.

O executivo conta que tem muitos amigos que optaram pelo negócio próprio, porém acredita que “para empreender nem sempre o negócio precisa ser próprio, desde que a empresa contratante dê opções de crescimento na área e principalmente abertura para a criatividade”. Para quem deseja seguir o mesmo caminho, ele recomenda conhecer bem o negócio e fazer um bom planejamento.

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Mais resultados

Proprietária da Tânia
Baby assumiu o comando
da empresa da família

Há um ano e meio, a vida da designer de interiores Deborah Raffoul se transformou. Em vez de apenas ajudar a mãe a comandar a Tânia Baby, empresa de mobiliário infantil, instalada em Suzano, ela precisou assumir a empresa. “Minha mãe descobriu que tinha um câncer de mama e eu precisei assumir a loja sozinha. Foi aí que procurei o Sebrae”, revela. A mãe hoje se recupera da doença e, em breve, vai voltar para auxiliá-la no negócio, que deve ganhar uma segunda unidade nos próximos dois anos. A família tem longa experiência no comércio.

Nos primeiros seis meses, o desafio, segundo Deborah, foi ter de fazer tudo ao mesmo tempo: “Não tinha vendedora e estava sem motorista para fazer as entregas. Foi tudo no susto, mas deu certo. Pude administrar bem. O ano foi positivo levando em conta a minha inexperiência”. Hoje, aos 26 anos, ela ampliou a equipe de montadores e contratou uma vendedora.

Sua formação em design de interiores é apontada como um dos fatores para os bons resultados da empresa, o que favorece a elaboração de projetos de ambiente para os clientes. Além disso, Deborah se atualiza com as empresas fabricantes, visitas à feiras do setor e o acompanhamento de publicações especializadas.

O principal para os novos empreendedores, de acordo com a empresária, é estudar o mercado: “É preciso verificar qual a necessidade e, dependendo do ramo, procurar o lugar certo para se instalar. A questão da documentação está mais fácil e o Sebrae ajuda bastante com as palestras. O principal é mesmo pesquisar”.

Tania

 

Conquistas online 

Co-fundador da AppTicket investiu
na experiência antes de dedicar-se
100%  aos negócios próprios

Quando ter um site era um diferencial para as empresas, em 2000, Maike Robert já recebia convites para ser sócio de empresários mais experientes no segmento. Hoje, aos 28 anos, ele é CEO da startup AppTicket, plataforma de vendas e estratégias sociais para eventos, participa da SocialHit, voltada para gestão de marcas nas redes sociais e da Bannerlab, que produz peças publicitárias para mídias digitais. Após projetos em grandes empresas, como Caixa e Natura, e integrar a equipe de organizações como o UOL e a agência de publicidade NBS, foi em 2010, aos 25 anos, que ele abriu aquela que considera a primeira empresa: uma produtora de conteúdo, que ainda mantém. “Mesmo com a vontade desde cedo de virar empresário, optei pela experiência. Esperei muito até sentir que estava na hora de arriscar em algo maior”, observa Maike.

Porém, foi apenas no começo do ano passado que esse jovem empreendedor resolveu que era a hora de largar o emprego e tocar 100% os seus negócios. Seu foco principal atualmente está na AppTicket, que de uma solução para um cliente se tornou prioridade. A startup, em breve, terá o aporte de um investidor.

Maike acredita que os jovens não querem mais seguir o padrão, onde o objetivo era cursar uma faculdade, quando possível, conquistar um emprego e lutar por salários maiores. “Vejo muitos jovens infelizes com o mercado de trabalho, querendo abrir sua própria empresa. Muitos estão no caminho certo, mas muitos deles também só precisam achar a empresa certa para trabalhar”, salienta. O conselho é ganhar experiência no mercado para errar menos e ter sucesso mais rápido.

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